terça-feira, janeiro 31, 2006

Estrelícias pássaros com raízes


Mais uma flor do nosso jardim, popularmente é conhecida como "ave-do-paraíso", apesar de receber também outros nomes, dependendo da região, mas seu nome botânico é Strelitzia reginae. Segundo se sabe, o nome foi escolhido em homenagem à rainha Charlotte Sophia, duquesa de Mecklenburg Strelitz e esposa do rei George III, da Inglaterra.

Esterlícia - Strelitzia reginae


Nos jardins, as estrelícias faz muito sucesso, formando vistosos maciços sobre os relvados, mas é na composição de arranjos e decorações florais que ela mostra a sua maior glória: as suas flores, belas e exóticas, apresentam uma durabilidade, um colorido e uma versatilidade impar no mundo vegetal.

Parente próxima da helicônia e da bananeira, a estrelícia apresenta uma folhagem exuberante, de coloração verde-escuro, que contrasta com as nervuras centrais das folhas, de tom avermelhado. Já as flores, um verdadeiro trabalho artístico da natureza, são protegidas por uma bráctea, em forma de barca, com colorações que variam do vermelho ao azul-violeta. As seis pétalas das flores formam dois grupos de três: as externas são ligeiramente lanceoladas e de cor alaranjada e, as três mais internas possuem o formato de uma flecha e apresentam tons de azul-metálico.

Pormenor Esterlícia - Strelitzia reginae


O resultado é um efeito exótico, elegante e extremamente belo, que tem o seu objectivo: a natureza cria estas composições de formas e cores, num esforço para atrair agentes polinizadores, em busca do néctar da estrelícia.

O género Strelitzia pertence à família das Musáceas e compreende inúmeras espécies, todas originárias da África do Sul e introduzidas na Europa em 1770, de onde se disseminaram por todo o mundo. A espécie mais cultivada é a Strelitzia reginae, popularmente conhecida como estrelícia, rainha-do-paraíso, bico-de-tucano, flor-do-paraíso, flor-da-rainha, ave-do-paraíso ou bananeirinha-do-jardim. Existem também outras espécies, como a Strelitzia alba, de flores brancas e a Strelitzia caudata, de coloração azulada.

De um modo geral, as estrelícias são de fácil cultivo e requerem poucos cuidados, sendo de grande utilidade para a composição de arranjos florais e decoração de ambientes, pois dificilmente são atacadas por problemas que possam danificar suas pétalas e folhas.

A Strelitzia reginae é uma planta herbácea perene que produz flores quase o ano inteiro, desde que cultivada sob sol luz solar plena. A sua propagação dá-se por meio de sementes ou divisão de touceiras. Cultive-a em solo argiloso: 2 partes de terra comum de jardim, 2 partes de terra vegetal e 1 parte de areia. A planta gosta de água mas não de solo encharcado. Em geral, pode-se regar duas vezes por semana. Em época seca, deve observar a superfície e regar sempre que esta se apresentar seca.

… talvez um dia, as raízes não as impeçam de voar!

Azáleas envergonhadas

Começaram a florir de um modo envergonhado as Azáleas no nosso jardim, salpicando aqui e ali as bermas das estradas e os verdes campos de S. Miguel.


Família: Ericáceas
Origem: China e Japão
Porte: Atinge até 2 m. de altura
Floração: Inverno e início da primavera
Propagação: estacas de galho
Luminosidade: sol pleno/meia-sombra
Regas: Regulares, sempre que o solo estiver seco

A Azálea, um arbusto da família das Ericáceas, tornou-se muito popular e hoje pode ser encontrada formando cercas-vivas, compondo maciços em jardins, alegrando corredores e entradas mesmo plantada em vaso. Um dos segredos do seu sucesso é que a floração ocorre justamente nos meses de Inverno e traz um pouco de colorido num período em que a maioria das plantas encontra-se em repouso. Outro segredo é que a Azáleas é uma planta relativamente rústica e resistente: suporta com bravura certas condições bem adversas e, por isso, é muito usada em jardins sem grande manutenção.

Solo: Por ser um arbusto rústico, a Azáleas adapta-se bem a qualquer tipo de solo, porém, para produza uma floração exuberante, o ideal é cultivá-la usando a seguinte mistura de solo:
2 partes de terra comum de jardim
1 parte de areia
1 parte de composto orgânico

Luminosidade e regas: As Azáleas não florescem dentro de casa e precisam de luz solar plena para crescerem bem. Para mantê-las em áreas ambientes de interior, deixe as plantas fora de casa até que as flores se abram, aí então podem ser levadas para dentro, mas é preciso que fiquem em um local bem claro, próximo à janela. O cultivo pode ser feito à meia-sombra desde que a planta receba luz solar directa pelo menos 4 horas por dia. Evite o excesso de água nas regas: o ideal é fornecer água à planta apenas quando o solo apresentar-se seco, sem encharcar.

Podas: Depois da floração, a poda é uma boa medida para estimular o surgimento de novos brotos e garantir uma próxima floração bem exuberante. Aproveite para fazer uma boa limpeza na planta, retirando as flores murchas e as folhas amarelas. Assim que terminar a floração das Azáleas, retire os galhos em excesso e corte as pontas dos outros galhos, até chegar ao formato e tamanho que você quiser. Para aumentar a próxima floração, elimine as pontas de todos os galhos que floresceram este ano.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Açores e a paixão pela geologia

Uma fotografia pode lembrar-nos o que fomos, onde estivemos, coisas que fizemos, pode auxiliar-nos a memória, levando-nos a viajar até ao nosso arquivo existencial. Descobri que uma pedra também o pode fazer, com a vantagem de que podemos tê-la à vista, sem que ninguém suspeite de nada. Acaba por ser uma relação secreta que tenho com essas pedras. Só têm valor para mim, só eu sei como e quando chegaram a minha casa, de onde e como vieram, são algo suficientemente abstracto, que está ligado a um momento, a algo especial. Olhar para elas é como viajar no tempo, é como voltar a lugares que um dia desejei não deixar ou onde desejo muito voltar. Volto sempre das viagens com mais peso na bagagem. A qualquer sítio que vá, não consigo resistir a retirar uma pequena porção desse espaço. Tento com elas construir o edifício da memória e assim, partindo de pequenos fragmentos, chego à totalidade das coisas. Foi deste modo que cheguei aos Açores e que ao longo da minha vida me fui apaixonando pelo fascinante mundo da geologia.

Exemplar de Volframite das minas da Panasqueira

A Geologia definida por um geólogo pode não ser a melhor definição mas... a geologia é o estudo austero do esqueleto da paisagem e de tudo aquilo que a constitui. Ao ver a montanha, o geólogo pensa no mar do qual ela saiu; ao ver o mar, pensa que nele serão depositadas as montanhas do futuro. A profissão do geólogo só pode ser exercida apaixonadamente. O geólogo deve ter sobre as ciências da Terra um conhecimento aprofundado que exige uma longa e afectuosa familiaridade.

Será geólogo quem não tiver perscrutado longamente nos mapas os contornos dos continentes? ou as sinuosidades dos rios impostas pelo relevo? as falhas? as fronteiras das placas litosféricas? ou tentado arranjar uma explicação para a forma dos lagos e para o traçado das cadeias de montanhas. O verdadeiro geólogo não só conhece os fósseis e os minerais, como também os ama. Ama-os incompreendido, gerando paulatinamente na sua mente suas imagens até às raias da obsessão e de forma modesta lê-lhes o testemunho escondido, daquilo que eram ali e outrora.

Com a mochila às costas e o martelo na mão, caminha, caminha toda a vida, sobre as cristas, e os fundos de vales, com o olhar fixo nas rochas, onde espera que apareça o indício que procura e que lhe poderá trazer mais uma resposta ou quem sabe levantar uma nova pergunta.

O verdadeiro geólogo deve ter pulmões infatigáveis, pernas de alpinista e às vezes ombros de ferro, porque a pedra é pesada e deve ser transportada e estudada no laboratório. Mas o gosto que aplana montanhas e vales e a paixão que o anima, é capaz de sublimar a fadiga e a cada descoberta que faz, parte sempre de novo, infatigável, fazendo de cada caso de estudo uma nova e maravilhosa aventura... É ASSIM QUE ME SINTO E QUE ME IDENTIFICO GEÓLOGO!

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Portugal em 11º lugar entre 133 países no índice de performance ambiental

Portugal ocupa o 11º lugar entre 133 países no índice de performance ambiental, obtendo nota positiva para a saúde ambiental e recursos hídricos, mas registando a pior qualidade do ar entre os países da União Europeia.

Caldeira das Sete Cidades - S. Miguel, Açores


Os dados constam do índice de Performance Ambiental, que classifica o desempenho de cada país nesta área, elaborado pelas universidades de Yale e Columbia (Estados Unidos), Comissão Europeia e Fórum Económico Mundial, que será apresentado na reunião anual desta instituição, que está a decorrer desde ontem em Davos, Suiça.

O documento analisa 16 indicadores e seis parâmetros básicos - qualidade do ar, recursos hídricos (quantidade e qualidade da água), saúde ambiental, produção de recursos naturais, biodiversidade e energia sustentável - em 133 países, classificando o comportamento ambiental de cada um numa escala máxima de 100 pontos.

No cômputo geral, Portugal posiciona-se no 11º lugar, obtendo 82,9 pontos, subindo para 10º entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e para 8º num grupo de 23 países desenvolvidos.

O melhor comportamento chega da Nova Zelândia (com 88 pontos), seguida da Suécia (87,8), sendo o Níger (25,7 pontos) e o Chade (30,5) os pior classificados.

O melhor desempenho de Portugal regista-se ao nível da saúde ambiental - onde ocupa o 17º lugar no total -, sendo lançado para a 83º posição quando o parâmetro é a qualidade do ar.

Aqui, Portugal aparece como o último da União Europeia e entre os três últimos no grupo de 23 países - 20 comunitários mais a Suíça, Noruega e Islândia -, com uma classificação (50,1 pontos) bastante inferior a países mais desenvolvidos e também mais poluídos.

Nota máxima é dada ao acesso da totalidade da população à água potável e ao saneamento básico (segundo o estudo), mas a biodiversidade e habitats arrasta o país para o meio da tabela, sendo um dos parâmetros básicos mais fraco em Portugal.

A classificação mais baixa surge no entanto ao nível da protecção da natureza (11,7 em 100 pontos), seguida do pouco uso de energias renováveis (16,4), pesca excessiva (16,7) e concentrações de ozono (17,2), sendo mesmo o país com os níveis mais elevados.

A taxa de mortalidade infantil - situada nos 0,5% de mortes por 1000 crianças dos um aos quatro anos - coloca Portugal no 21º lugar no geral.O pior classificado é a Serra Leoa, com uma mortalidade entre as crianças de 41,6% e a Guiné-Bissau a terceira pior dos 133 países (com uma taxa de 27,9%).

Os autores do estudo ressalvam que a inclusão deste tipo de indicadores, com grande peso na nota final, faz com que os países ricos apareçam nos primeiros lugares e alertam para a necessidade de se proceder a comparações entre os países do mesmo nível o que, no caso de Portugal, é entre os países europeus.

O documento salienta ainda que o planeta está longe da sustentabilidade em questões como a biodiversidade, energia ou alterações climáticas.

Entre os países de expressão portuguesa avaliados, o Brasil é o mais bem colocado a seguir a Portugal, situando-se em 34º lugar com 77 pontos, e os restantes encontram-se entre os últimos 15 - Angola está em 128º entre os 133 países (com 39,3 pontos), Moçambique em 121º (com 45,7 pontos), Guiné-Bissau em 120º (com 46,1 pontos).

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Plantas invasoras vs plantas indigenes

Ao chegar a São Miguel é impossível ficar indiferente ao verde que ainda hoje toma conta da paisagem. Contudo, actualmente apenas podemos vislumbrar uma pequena amostra daquilo que Diogo Silves e seus homens terão encontrado quando cá aportaram.

A vegetação autóctone encontra-se hoje em dia extremamente limitada a pequenos redutos que constituem verdadeiras ilhas num mar de flora infestante. Os números não enganam, das cerca de 1000 espécies de plantas existentes por toda a ilha apenas 300 fazem parte da flora natural de São Miguel, das quais 60 são endemismos extremamente raros constituindo verdadeiros ex-libris como é o caso da Vidália (Azorina vidalii), uma das mais belas espécies da flora açoriana.

Nome científico: Azorina vidalii (H.C.Watson) Feer
Nome comum: Vidália

Familia: Campanulaceae
Género: Azorina Feer

Observações: Género endémico dos Açores. Espécie protegida pela Convenção de Berna e pela Directiva Habitats.


Plantas invasoras versus plantas indigenes, este é sem a menor das dúvidas o maior conflito da Mãe Natureza nos últimos séculos, onde a Laurisilva, designação provem do latim, Laurus (loureiro, lauráceas) e Silva (floresta, bosque), está constantemente a perder terreno numa luta cada vez mais desigual. Considerada um autêntico fóssil vivo, esta dominava a paisagem durante a era Terciária no Sul da Europa e no Norte de Africa tendo ficado confinada, graças a glaciações, aos diversos arquipélagos Macaronésicos (Açores, Canárias, Cabo Verde e Madeira). A Reserva Florestal Natural do Pico da Vara, situada na região Oriental de São Miguel é um bom exemplo, uma vez que detém uma vasta e importante área florestal, onde podem ser encontradas 80% das espécies endémicas do arquipélago açoriano. Hoje a Laurissilva é considerada Património Mundial da UNESCO.

Esta Reserva alberga ainda quase todas as espécies da avifauna terrestre açoriana, servindo ainda de habitat ao único morcego endémico dos Açores, o Nyctalus azoreum , que tal como o priôlo (Pyrrhula murina) , ave extremamente ameaçada de extinção, é uma das espécies emblemáticas da fauna açoriana.
Nome científico: Pyrrhula murina
Nome comum:
Priôlo
Género:
Pyrrhula
Observações: Espécie em vias de extinção.

Tanto as áreas onde o Priôlo praticamente não ocorre, bem como aquelas onde ocorre, estão a ser rapidamente invadidas por Clethra arborea, Incenso e Conteira. A floresta está a sofrer transformações rápidas e a maior parte das plantas exóticas infestantes influenciam negativamente esta espécie.
Para proteger o Priôlo a longo prazo é necessário proteger e gerir a floresta endémica de altitude na parte Leste da ilha de S. Miguel. Por um lado, a expansão de plantas exóticas deverá ser controlada, caso contrário a comunidade de plantas endémicas corre o risco de deterioração em larga escala. Por outro lado, é essencial recuperar e expandir a área de floresta natural através de plantações. É especialmente necessário o aumento das populações de plantas produtoras de botões florais consumidos pelo Priôlo: Azevinho e Ginja.
O Priôlo e o seu habitat constituem um património natural açoriano de valor mundial e necessitam de medidas de gestão efectivas para a sua preservação.

Para mais informações sobre o Priôlo: http://www.geocities.com/priolo7/priolo.html

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Início

Depois de pensar muito resolvi criar este blog... espero que não seja mais um blog a poluir a web!


"...A vida açoriana não data espiritualmente da colonização das ilhas; antes se projecta num passado telúrico que os geólogos reduzirão a tempo, se quiserem...

Como homens, estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra.

A geografia, para nós, vale tanto como a história, e não é debalde que as nossas recordações escritas inserem dos cinquenta por cento de relatos de sismos e enchentes. Como as sereias temos uma dupla natureza: Somos de carne e de pedra. Os nossos ossos mergulham no mar."

Vitorino Nemésio