terça-feira, fevereiro 14, 2006

Mais perto do Éden

Fico até emocionado quando penso que para além de tudo o que conhecemos em matéria de seres macroscópicos (sim, porque em termos microscópicos, o nosso conhecimento é ainda mais diminuto), existe ainda um imenso mundo que desconhecemos no nosso pequenito planeta Terra. De vez em quando aparece alguém que abre uma nova porta e… deslumbra-nos com a imensa beleza do nosso planeta e com tudo aquilo que nele desconhecemos!

A expedição de um mês, realizada em Dezembro, contou com 25 cientistas dos Estados Unidos (onde a ONG esta sediada), da Indonésia e da Austrália. Estes cientistas fizeram um levantamento rápido da biodiversidade das montanhas Foja, uma área de floresta tropical primária com 1 milhão de hectares na ilha da Nova Guiné, na província indonésia de Irian Jaya, onde se localiza uma das florestas virgens asiáticas mais isoladas e inacessíveis.

Paisagem das montanhas de Foja


A área só pôde ser alcançada por helicóptero. Tem cerca de 300 mil hectares e chega a 2.200 metros acima do nível do mar. Segundo os cientistas, habitantes da região não a colonizaram, preferindo viver ao nível do mar. Outros 750 mil hectares ainda estão por ser inteiramente explorados. Uma expedição havia sido feita há 25 anos atrás, mas não tão completa quanto a do ano passado.

Aspecto do acampamento

Na brumosa floresta daquela região do planeta existe uma verdadeira colecção de novos mamíferos, borboletas, anfíbios, aves e plantas que já podem agora juntar-se ao catálogo das espécies conhecidas. É a descoberta surpreendente de uma espécie de mundo perdido, que evoca, pela dimensão da novidade, os achados dos exploradores europeus do final do século XIX, e princípio do século XX, no continente africano. E que lembra também o mito dos mundos perdidos que o dinâmico mundo do cinema tem regularmente utilizado como filão.

É o mais próximo do Jardim do Éden que alguma vez encontraremos sobre a Terra…” - disse entusiasmado à imprensa internacional Bruce Beehler, vice-presidente do Centro para Conservação da Biodiversidade da Melanésia, que pertence à ONG, e um dos líderes desta expedição científica.

Promovida por aquela organização internacional e pelo Instituto Indonésio para a Ciência, e financiada por várias entidades científicas, incluindo a National Geographic Society, a expedição parece ter sido bafejada pela sorte - ou pelos deuses. Em apenas um mês, a equipa, que incluiu investigadores indonésios, australianos e dos Estados Unidos, descobriu 20 espécies novas de anfíbio (incluindo uma rãzinha de menos de 14 milímetros de comprimento), quatro novas borboletas e dezenas de plantas nunca vistas (incluindo cinco árvores com folha de palma e rododendros cujas flores batem recordes mundiais em tamanho). E não é tudo, há ainda as aves e mamíferos que haviam sido caçados até quase extinção em outras partes do planeta e que ali se encontram em abundância.

Rododendro waynetakeuch

Pequena rãzinha


"A primeira ave que vimos no nosso acampamento era de uma nova espécie e logo no dia a seguir vimos uma outra, uma ave do paraíso, de uma espécie descrita pela primeira vez no final do século XIX, mas que nunca mais tinha sido avistada", contou Beehler à BBC News online. Descrita a partir de espécimes capturados por caçadores indígenas numa zona nunca especificada da Nova Guiné, esta ave estava de certa maneira envolta num mistério. Sucessivas expedições para encontrá-la nunca obtiveram qualquer êxito e, na verdade, desconhecia-se de onde era exactamente originário. Esta ave corresponde à espécie Parotia berlepschi, a qual havia sido descrita por caçadores no séc. XIX e julgava-se extinta. "Redescobrir esta ave que estava perdida foi para mim uma coisa extraordinária", confessou Beehler à BBC News online.

Bruce Beehler com a ave do paraíso

Ave do paraíso


Ao segundo dia desta expedição, a equipa observou com surpresa um macho daquela espécie fazer uma dança de acasalamento para a fêmea que andava por perto

"É um paraíso de biodiversidade", resumiu o investigador. Alguns dos animais encontrados não manifestaram medo ao contactarem pela primeira vez com seres humanos. O caso, por exemplo, de dois equidnas de bico longo (mamíferos que põem ovos), que se deixaram levar facilmente para o acampamento dos cientistas, para serem estudados.

Equidna de bico longo


Outra das aves descobertas é um honeyeater (papa mel), pelo facto de se alimentar de mel, tem marcas amarelas na cabeça, junto aos olhos.

Honeyeater (papa mel)

Se se confirmar que é uma nova espécie, será a descoberta de um novo pássaro em 60 anos naquela ilha, já que a última tinha sido ali identificada em 1939. Assim sendo, Beehler pretende baptizá-la com o nome da mulher, como explicou ao New York Times.Uma das descobertas mais notáveis foi a presença do canguru-arbóreo-do-manto-dourado, um animal até então desconhecido na Indonésia e que se julgava ter sido caçado até quase a extinção.

Canguru-arbóreo-do-manto-dourado


Os seus achados, no entanto, ainda precisam ser publicados num periódico científico e passar pelo crivo de outros zoólogos antes de serem efectivamente considerados novas espécies. Esse processo pode levar de seis meses a anos. Os cientistas acreditam que descobertas semelhantes possam vir a acontecer na África e na América do Sul.

Não parece haver nenhuma ameaça imediata à área, que tem status de santuário da vida selvagem, afirmou ele. "O governo não libera permissões de exploração madeireira na área, não há sistema de transportes nem uma única estrada", disse Beehler. Mas, claramente, com o tempo tudo isso pode ficar ameaçado. Nas próximas décadas haverá demandas de todo tipo, principalmente se você pensar nas necessidades de madeira de países próximos, como a China e o Japão.

"O que foi surpreendente foi a falta de alerta de todos os animais." disse Beehler. Na natureza selvagem, todas as espécies tendem a ser tímidas diante de humanos, mas isso é um comportamento aprendido porque encontraram humanos. "Em Foja, elas não parecerem se importar com nossa presença." disse o cientista. Este é um lugar sem estradas ou trilhas e nunca, até onde sabemos, foi visitado pelo homem. Isto prova que ainda existem lugares a serem descobertos, onde o homem não tocou.

Para além de tudo o que conhecemos existe ainda um imenso mundo que desconhecemos. Talvez o paraíso esteja bem perto de nós... tão perto, que a cada dia todos nós (uns mais do que outros!!) o destruímos mais um pouco!



NOTA: Todas as fotos aqui apresentadas estão disponibilizadas em: http://news.bbc.co.uk/cbbcnews/hi/pictures/default.stm

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Cartoons !!!

Apeteceu-me, não sei bem porquê, esta manhã, colocar este post. Numa altura em que se fala tanto e tão pouco de cartoons; numa altura em que se aproveitam de um cartoon, do profeta Maomé, para incentivar a destruição, a guerra, a desunião entre os povos e as religiões, a morte e tudo o que de mal se possa imaginar, escolhi alguns cartoons, inocentes e bem engraçadas sobre jardinagem para que a arte do cartoon não fique manchada.


Ficou provado, ao longo destes últimos dias que o cartoon constitui um dos melhores barómetros da consciência democrática. Somos uma espécie em evolução. Muito ignorante e arrogante, por sinal. "Demasiadamente humanos...", como disse Nietzsche, não temos a humildade necessária para aprender a respeitar a diferença. Temos milhares de defeitos evolutivos que precisam ser superados. Um deles é a compreensão pela diferença do outro.


Quem diria que um jornal egípcio, o Al Fager, publicou todos os famosos cartoons dinamarqueses em Outubro do ano passado. Sim, Outubro, ou seja, em pleno Ramadão. Não houve protestos, boicotes ao Egipto, ataques a embaixadas etc. O próprio editor do jornal escreveu recentemente sobre a sua surpresa perante a actual onda de protestos, e diz-se convencido de que esta serve apenas para ocultar casos de corrupção e outros problemas reais do Médio Oriente (via Freedom for Egyptians).


Muito provavelmente, se aquelas almas incendiadas pelo desejo de vingar a "ofensa" ao Profeta, usufruíssem de "paz, pão, educação, saúde, educação" (cito Sérgio Godinho), em vez da violência nas ruas, ao apreciar os cartoons esboçariam, quiçá, um sorriso desdenhoso ou mais amarelo, face ao que poderiam catalogar de provocação atrevida ou apenas mau-gosto.

"Todos os vício são maus, não importa se são drogas, álcool ou idealismo." Jung.
"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro..." Vinícius de Moraes.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A Gruta do Carvão, o maior túnel lávico de S. Miguel

Depois de oito anos à espera, a Gruta do Carvão vai abrir ao público. Para a Associação Amigos dos Açores o processo poderia ter sido mais célere, não fosse a falta de vontade.


Aspecto do túnel lávico que constitui a Gruta do Carvão


Decorria o ano de 1995 quando, num encontro de museus, realizado em Ponta Delgada, a Associação Amigos dos Açores apresentou um projecto que visava a abertura de dois troços da Gruta do Carvão (Carvão e Paim) ao público em geral. Assente no pressuposto de que tal constituiria uma mais-valia para a cidade de Ponta Delgada e para a própria ilha.

Desde então, muita tinta correu, os anos foram passando e o processo foi andando a passo de caracol. A reportagem do EXPRESSO DAS NOVE falou com um dos membros dos Amigos dos Açores, o qual adiantou que "o facto de ter levado tanto tempo para que a gruta tenha sido classificada como monumento natural regional, penso, ficou a dever-se a uma questão de vontade. A actual secretária Regional do Ambiente e do Mar, Ana Paula Marques, demonstrou uma enorme vontade em avançar com este processo e fez, em seis meses, o que não tinha sido feito em oito anos."

A Gruta do Carvão é uma valia que se divide em três componentes: científica, didáctica e turística. A Associação Amigos dos Açores quer, e tudo têm feito para que a Gruta do Carvão possa ser aproveitada nestas três componentes.

Uma das mais-valias desta gruta, mas que ao mesmo tempo se traduz num handicap, é o facto de estar localizada dentro da cidade. A verdade é que se, por um lado, isto é positivo, porque está muito próxima de tudo; por outro, faz com que esteja sujeita a uma grande pressão urbanística.

Texto integral (de Pedro Ferreira) do
Expresso das Nove: AQUI

Texto em PDF dos
Amigos dos Açores sobre a Gruta: AQUI

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Água! Devido a ela existimos e sem ela desapareceríamos

Surgida no decurso da diferenciação da Terra, na fase inicial da sua história, a água começou por preencher as áreas mais deprimidas do planeta, originando bacias isoladas, que foram crescendo, quer em extensão quer em profundidade, acabando por coalescer, formando assim os primeiros oceanos.

O imenso Oceano Atlantico


Foi nestas águas, de início muito quentes, contendo substâncias capturadas da atmosfera de então e ricas em sais dissolvidos das rochas já existentes, que surgiram certos agregados de moléculas que se foram tornando complexas a ponto de exercerem actividades cada vez mais próximas daquelas que atribuímos aos seres mais rudimentares. Foi neste meio e no decurso de milhões e milhões de anos que se foram desvanecendo as diferenças que separam os seres vivos do mundo orgânico abiótico.

A água é um componente abundante na Terra, planeta onde se encontra nos seus três estados físicos, e comum no espaço exterior. Há água sob a forma de gelo em alguns corpos planetários do Sistema Solar, na maioria dos cometas e, ainda, no espaço interstelar, onde moléculas de H2O têm sido identificadas.

No que se refere ao nosso planeta a água é ainda conhecida ao nível da litosfera em todos os ambientes geológicos. Com efeito, a água entra na composição do magma, determinando-lhe o quimismo e as condições de arrefecimento e de consolidação das rochas dele derivadas. A água preside à maioria dos processos metamórficos, regulando as condições termodinâmicas das transformações e servindo de veículo nas migrações das substâncias minerais de uns locais para outros. Finalmente, no ambiente sedimentar a água tem um papel preponderante, não só na fase de alteração das rochas (dissolvendo, hidratando e hidrolisando) como nas de erosão, transporte e sedimentação.


Salto do Prego no Faial da Terra, Ilha de S. Miguel

A água é também um componente essencial na constituição dos seres vivos, onde assegura a maior parte das funções inerentes ao seu metabolismo e, daí, também a sua imprescindibilidade.

Todo o dramatismo de expressões como desertificação, seca, desidratação, sede, pressupõem a carência deste enorme bem, tantas vezes mal avaliado.

Talvez as guerras que hoje se vivem no mundo, desencadeadas por motivos religiosos extremistas, políticos e económicos, muitas vezes impulsionadas pela ganância pela posse de combustíveis fósseis, um dia sejam desencadeadas pela escassez de água.

A água é um bem essencial à vida, devido a ela existimos e sem ela desapareceríamos!!!!

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Adeus a uma estrela


Soube hoje que faleceu alguém que marcou a minha vida de estudante, alguém que me incentivou a seguir a carreira de investigador, a mim e a muitos outros. Alguém que amou as estrelas, os cometas e tudo aquilo que se relacionasse com o Cosmos. Alguém que sempre sonhou, sem medo de sonhar, sem medo de mostrar que sonhava e sem medo de seguir os seus sonhos.


Ecos da morte de uma estrela
(retirada de
www.ca2000pt.com/ noticias/200518/200518.htm)


Existem pessoas Estrelas e pessoas Cometas.
Os Cometas passam.
Apenas são lembrados pelas datas que em que passam e retornam.
As Estrelas permanecem, assim como o Sol.
Passam anos, milhões de anos, e as Estrelas permanecem.

Há muita gente Cometa.
Gente que passa pela nossa vida apenas por instantes.
Gente que não prende ninguém e a ninguém se prende.
Gente sem amigos, gente que passa pela vida sem iluminar, sem aquecer, sem marcar presença.

Importante é ser Estrela.
Estar junto.
Ser luz, calor,ser vida.
Amigo é Estrela.
Podem passar anos, podem surgir distâncias, mas a marca fica no coração.

Ser Estrela nesse mundo passageiro, nesse mundo cheio de pessoas Cometas, é um desafio. Mas acima de tudo, uma recompensa. Recompensa de ter sido luz para muitos amigos, calor para muitos corações e acima de tudo, saber que nascemos e vivemos, e não somente existimos.


Para si Professor José Fernando Monteiro, pela luz, pelo seu brilho, pelo seu calor, pelo incentivo e pela dedicação... espero sinceramente que um dia nos voltemos a encontrar!

...

Hoje soube que morreu uma estrela!!!

domingo, fevereiro 05, 2006

Mais um livro mais um passo no longo caminho do conhecimento

Ao passear o meu olhar pelas prateleiras cheias de livros, deparei-me com um pequeno livro (em tamanho), intitulado de Planeamento de Jardins, correspondente a uma tradução, do Eng.º Agrónomo Mário F. Bento Ripado, do livro The Royal Society´s Enscyclopedia of Pratical Gardening: Garden Planning, de 1992, do autor Robin Williams.

Este é mais um volume da «Enciclopédia de Práticas Agrícolas», publicada sob a orientação da Sociedade Real de Hortofruticultura da Grã-Bretanha. Uma enciclopédia prática e acessível de diversas técnicas agrícolas no campo da hortofruticultura e da arquitectura paisagista.

Como o titulo indica é uma obra, dedicada ao planeamento de áreas ajardinadas e ilustrada com mais de 300 diagramas e desenhos. Contém a informação necessária para a criação de jardins de uma forma harmoniosa e correctamente integrada no ambiente, onde as necessidades e os gostos dos utentes são satisfeitos, sendo indispensável não só ao amador (eu!!) de jardinagem mas também aos estudantes e licenciados em Arquitectura Paisagista e demais profissionais nesta área.

Entre muitos assuntos aborda: Levantamento do local, traçado do projecto, proporção e perspectiva, pontos focais e barreiras visuais, estilos de jardins, pavimentação, muros de tijolo e de pedra, vedações e portões, treliças, arcos e pérgulas, lagos e outras estruturas aquáticas, áreas de lazer e jogos, iluminação e segurança e manutenção do jardim.

Estou certo que no meio de tanta informação vou achar inspiração para remodelar o meu jardim!! Se tiverem algumas ideias digam!!

Referência:
Williams, R. (1998). Planeamento de Jardins. Enciclopédia de práticas Agrícolas. Sociedade Real de Hortofruticultura da Grã-Bertanha. Colecção EUROAGRO, Publicações Europa-América. 215 p.